
Tanto quanto ouvir, conversar e trocar figurinhas sobre música é uma coisa prazerosa quando feito com amigos que conhecem bem o poder de sentir a vibração de uma canção. Conhecem o valor da boa música para a alma e o coração. O sábio Nietzsche já disse certa vez que o mundo seria um erro sem música.
Sou sim um agraciado por ter conseguido ver ao vivo bandas e artistas que com sua música formataram meu coração na adolescência. Sim, aquela fase colegial que você ouve o som mais com o lado emocional do cérebro e menos com o racional, e isso inclui horas ao lado de Pearl Jam, Foo Fighters, Oasis, Silverchair, Guns N' Roses, Alanis Morissette, Roger Waters, Cranberries, Rivets dentre outros nacionais e internacionais que tem o seu som impresso na minha corrente sanguínea ainda que eu os ouça pouco hoje em dia na fase adulta.
Muitos falam fácil dos shows inesquecíveis que foram e presenciaram, sempre na contramão eu pensei um breve ranking dos 4 shows inesquecíveis e fáceis (acessíveis) que eu NÃO fui e que, como beatlemaníaco que sou, certamente será acrescido de Paul Macca caso eu não vá pra Sampa no mês que vem:
Banda: Rush
Disco predileto: Moving Pictures (1981)
Onde/Quando: Maracanã 2002 (DVD Rush in Rio)
Notas: Nem me ligava no som desse trio extraterrestre, mas lembro que no intervalo da minha aula de inglês conversava com um amigo músico no dia seguinte a esse show e ele estava super empolgado falando sobre como era um show deles. Dizia ser outro nível, show com parada no meio pra descansar tamanho o desgaste cerebral. No meio do papo, eu com meus ingênuos dezoito aninhos, solto que não sabia como ele conseguia aturar a música chata e imensa desses caras e recebo de bate-pronto um “Veja bem, você diz isso porque não é músico!”. Fui pra casa e sou muito grato a ele por isso. Vi o tal show clássico que virou o premiado DVD na telinha do Multishow com muita atenção e literalmente pirei. Começando depois a comprar os CD’s e ouvir as músicas de temática filosófica desses velhos.
http://www.youtube.com/watch?v=yzM6995klLgMenos mal: Sossegado e feliz escrevo isso uma semana e alguns dias após esses canadenses terem aportado no RJ e realmente eu ter visto um senhor show. Sabia que não perderia a primeira chance de vê-los fazer o difícil virar fácil a poucos metros de distância no meu canto de sempre na Apoteose.
Banda: New Found Glory
Disco predileto: Hits (2008)
Onde/Quando: Circo Voador 2008
Notas: Que o NFG é uma das bandas mais divertidas de se ouvir, principalmente dirigindo, e possui videoclipes absurdamente bons ("It’s Not Your Fault" meu favorito) já é sabido. O que não se sabia é que em sua primeira passagem pelo país, além de ter sido um show bastante aguardado, foi uma celebração da música e eu não fui só porque passava um momento conturbado. O Circo Voador abriu nesse domingo de novembro pouco após o almoço para início das atividades e subiram no palco Madame Machado, Catch Side, Drive, Strike, meus vizinhos da Let’s Go e os parceiros mineiros da Socket que há alguns meses me aventurei junto num fim de semana louco em Juíz de Fora. O mais esperado veio depois, claro, o final da noite com o último e melhor show da tour pelo país, declarado pelo próprio NFG. Ver o palco tomado por gente que a própria banda deixou subir pra essa celebração denota o bom humor e o clima total de festa, assim como me dá água na boca assistir ao Circo Voador nesse vídeo resumo da mini tour:
http://www.youtube.com/watch?v=pS3FJGsXKT0Menos mal: Os caras tem 13 anos de banda mas são novos e certamente voltarão pra mais uma festa dessa, como deve ser um show do NFG, pura energia e diversão.
Banda: Social Distortion
Disco predileto: Sex, Love and Rock n' Roll (2004)
Onde/Quando: Circo Voador 2010
Notas: Em dezembro passado o falecido Cinematheque de Botafogo recebeu uma boa galera das antigas que cresceu ouvindo as ótimas bandas que faziam a cena dos anos 90 no RJ e foi curtir um super show de reunião dessa galera (
http://www.youtube.com/watch?v=eh8E11-ON3c). Cheguei cedo, claro que pra ver o Barneys, precursores do HC melódico no país ainda naquela época, do maior nome de toda essa cena 90’s que é o Fabrício, seja com o Barneys, com o Rivets ou com seu romântico violão solo. Meses depois trocando idéia com esses caras, encontro o Pedro do Carbona saindo do trabalho no centro da cidade que me dá a notícia que a galera Old School vibrou: o consagrado Social Distortion viria em abril no Circo Voador em sua primeira vez na América do Sul. Já sabia que o Social D havia aberto shows da última tour do Pearl Jam, vi vídeos no Youtube do Eddie Vedder muito feliz cantando ao lado do Ness. Dava pra imaginar o que seria esse dia com uma banda de importância internacional semelhante ao Bad Religion para o renascimento punk dos anos 80. Aliando tudo isso ao fato do líder e compositor mega tatuado Mike Ness ser uma das maiores vozes do rock e tido como mito por tudo o que passou na carreira, fonte de inspiração inclusive de canções como “Down” do Pearl Jam, era um show imperdível e clássico antes mesmo de acontecer. Chego no Circo para garantir o ingresso de R$60,00 numa chuvosa segunda antes do show e sou informado que a bilheteria não abre às segundas. Atarefado com trabalho durante a semana, era certo que morreria no dobro disso na mão de cambistas no sábado do show. Pesou junto o fato de que no mesmo sábado as amigas da Agnela fariam o show mais importante desde o Planeta Atlântida, dessa vez junto com o Charlie Brown Jr no Luso de Campo Grande obviamente lotado por elas serem de lá. Em toda balada nossa elas me cobravam e eu prometia presença num show, não pude deixar de ir, beber e curtir com essas garotas.
Menos mal: Vi o showzão do Social D quase todo depois no Youtube e já há boatos de uma volta de Mike Ness ao Brasil.
http://www.youtube.com/watch?v=o8eyeIwUmpM
Banda: Silverchair
Disco predileto: Diorama (2002)
Onde/Quando: ATL Hall (atual Citibank Hall) 2003
Notas: Era mais ou menos meio de 2002 e eu corria pra Fnac na semana de lançamento do novo álbum do Silverchair para comprar o meu. Em 2001 a banda tinha parado após o show no Rock in Rio para o continuar ao longo do ano o trabalho em cima desse disco que diziam estar primorosamente composto e arranjado até com orquestra. Cheguei em casa, botei o tal "Diorama" pra ouvir e ao final não entendi nada. Parecia uma nova banda, ainda desconhecida e sem que tivesse algo a se esperar dela. Liguei pro meu amigo de colégio mais fissurado na banda, com quem tinha visto o show no Rock in Rio e informei que já tinha o CD em casa, ele correu lá pra ouvir e também sofreu o mesmo impacto, porém dizia já saber que tratava-se de um disco mais difícil, havia lido entrevistas e segundo ele ouvido "Without You", que já curtia muito. O tempo passou e aquele disco, que no início era meio estranho aos ouvidos, foi crescendo a cada audição e incrivelmente ganhando forma em suas belíssimas melodias. Parecia algo mágico que nunca havia acontecido comigo, um disco se despir aos poucos conforme minha vontade e revelar ser uma obra-prima. Era maio de 2003 e a fissura toma conta, Silverchair voltaria ao Brasil, dessa vez mostrando esse discaço ao vivo no RJ. Aos dezenove aninhos, fiz contato com minha galera da época e na correria do meu primeiro emprego marcava dia pra comprar esse esperado ingresso. Concomitantemente ao show rolaria a primeira edição do festival Coca-Cola Vibezone e as mais de 12 horas de música e atrações diversas que incluíam shows das bandas, pista de dança, pegação, tirolesas etc seduziam essa galera que, na dúvida, postergou a compra dos ingressos até esgotarem ambos os eventos e me fizeram embarcar nessa furada. Perdi o Silverchair em sua melhor fase, tocando seu melhor disco, hoje reconhecidamente um “Classic Album” da Austrália, e com o Daniel brincando de cantar como nunca.
Menos mal: Estava certo de escrever que pra esse ainda não descobri, mas lembrei que existe o lindo DVD duplo gravado num teatro que imortalizou essa tour e essas músicas: "Live From Faraway Stables".
http://www.youtube.com/watch?v=b2yqWeIjzz8;-7